Estive aqui pensando com meus botões que desde minha última grande paixão, que por sinal se acabou há bom tempo, não mais consegui lograr êxito nessa ardilosa missão. Digo já de pronto que não sou daqueles que se escondem, nem dos outros e nem de si mesmo, e que, portanto, tenho andado por aí sempre atento às possibilidades.
Não obstante, cabe salientar que sou homem feito, não mais disposto a aturar juvenilidades de outrem. Sei que isto atrapalha, pois acabamos nos tornando bastantes criteriosos na hora de selecionar nossas companhias.
Devo dizer ainda, que esse fato, não me deixa triste, deprimido, nem ao menos chateado, apenas um pouco perplexo.
Pergunto quais seriam os motivos desse atual inverno da alma. Alguns dizem que é tudo uma questão de química, de achar aquela pessoa que faça a diferença dentre as demais. Outros dirão que é o medo de se envolver e depois sofrer que faz com que nossas armaduras sentimentais se coloquem sempre em prontidão. Há aqueles que pensam que é tudo uma questão de prioridade, se você tem outras, o campo amoroso se põe em segundo plano, talvez num terceiro quem sabe. Será falta de opção? Já rebato o argumento de pronto, ultimamente não tenho podido reclamar do numerário. E então, o que se passa? Quais são os verdadeiros motivos do ocorrido?
Digo que todos esses argumentos apresentados acima se somam, fazendo mais ou menos sentido segundo a vivência de cada um. Isso sem falar nas diversas outras correntes que se prestam a analisar tal assunto, com tanta ou maior propriedade.
Isto posto, cabe então perguntar: “Pra que serve a paixão?”. Afinal, se trata de algo complexo, ainda mais pra quem pretende levá-la a sério. Entender nossos sentimentos já é uma tarefa e tanto, entender os de outra pessoa então meu amigo, considero ser tarefa para poucos iluminados.
Recorro finalmente a algum apaixonado para que, citando Vinícius de Moraes, me prove muito bem provado, com certidão passada em cartório do céu, quais os benefícios dessa brincadeira.
No aguardo.